quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

deu lírico

agente vive esquerdo em tempo reto
saudade, sal da terra
sade mata a sede
bebendo a dor da humanidade

agente se endireita e o tempo faz a curva
no intestino do destino
cavar alguma terra
que não tenha sido uma promessa

desisti de acertar
se miragem está na mira

desisti de desistir
aprendi como delira

insisti no existir
vou aprendendo tocar lira

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Heráclito Blues

não se entra outra vez
na mesma lama
o verme cria escama
o  germe  trança outra trama

não sei o que se deu na primavera
sob o sopro do verão
o outono passa
e incinera

o inverno sopra
no ouvido o que tenho vivido
não esquento, que o pior eu já passei
como Hera...
nessa trilha um estranho tange o trem

que a estrada entregue
a meus olhos o que trago no peito
nem esquento, se o pior eu já nem sei
como seria
nessa trilha até quem tange estranha o trem

não se ama outra vez
na mesma cama
escamas viram asas
e o germe transa de outra moda

não sei o que se deu no calendário
sobraram algumas horas
confuso estou
com o fuso horário

o natal sopra
que pra janeiro algo tem que morrer
não esquento, que o pior eu já passei
como Hera...
nessa trilha um estranho tange o trem

que a estrada trague
os meus olhos e o estrago peito
nem esquento, se o pior eu já nem sei
como seria
nessa trilha até quem tange estranha o trem

segunda-feira, 23 de maio de 2011

tão down, subi

para um sótão tão só

por porões por aí

na poeira de um porém....

quarta-feira, 6 de abril de 2011

cyber sapiens

Em um passado muito depois da gente, em tempos em que as crises reacendiam suas cristas, um dos últimos andróides selvagens infectado com um vírus - um troian horse não identificado que estava deletando quase toda população - tomando seu sintetizador de seis cordas, arcaico, numa esquina, cantava:

se realmente resistisse
vida após a sorte
você loteria meu vazio
desejo que não seja rasa a nossa razão
que o Provedor nos abençoe
sintonizam sensações
bioprogramas corações
on line
do código o homem veio
e pródigo retornará
minha memória não suporta não
tantos gigas de solidão
séculos-luz pra transpassar com o arco da íris
a retina sideral







quarta-feira, 23 de março de 2011

“Sim, uma puta!”




A conheci, pequenos. Pouco depois que conheci o Sol, a Lua, as Ruas,

Exatamente quando, não sei: desconheci o sol de minhas manhãs. Achando-o maravilhoso, ele chicotechateava as costas de alguém acorrentado a uma enxada.

Chegadas as noites, desconheci a lua. Uma deusa-ciclope, velando meus sonhos, também levava para si gritos e pedidos de socorro e como deusa (desde a fabricação da angústia-de-não-ser-ouvido) aos socorros se fingia mármore, quase não contendo o sorriso esguelhado para seu lado sombrio.

Caminhando para casa, desconheci as ruas. Dizia-as abençoadas pelas, mesmo inseguras, sensaçõvisões mais belas: desejo se concretizando ...ao longe... o risco-certo do pode-não-ser. Percebo; elas se dão a palco para as facas rasgadoras de vidas, estupradores de liberdade e espancadores com cassetetes oficiais.

Vitudoporumoutroladoeamultiplicidadedecadaladoeainfinitudedamultiplicidade  e, mesmo estranho, ninguém além de mim mesmo.
Primeiro olhei, lindo; segundo olhei, horrível; terceiro, vi: a primeirúltima das margens do principício; o Zero. Reconheci tal mundo como único possível. Passei a amá-lo por que sem opção para odiá-lo.
Tão sensível, passou em minha visão e com o som de suas curvas já a sentia no tato. Desconheci sua atribuída imagem. Reconheci seu sorriso sonhador. Devolvi a seus olhos o mistério, a sensualidade, ignorados pelo Poderoso-burro julgamento coletivo.
Foi preciso um terremoto pro vermelho embranquecer e uma puta virar noiva.
                           

sábado, 5 de fevereiro de 2011

¿em que ponto se apóia? Parte da
arte em que parte? Pra que porto?
Mas, proibido aborto, inevitável,
parto. Na bússola vital, a certeza
mais forte rima rumo a norte e
nunca deixa de ser solução;
cronodissolve um por um, um
por todos e, assim por de antes,
sempre foirá?. Como nem toda
noite tem parte na moita e nem
toda foice, corte no bote; cobras
se disfarçam de botas: a face da
terra faz-se de gente. Genterrada.
lenda dos calendários
há templos
já faz
muitos templários

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

nos dê
literatura
um presente
lidere
litere tudo
livro-nos
do mau
Pensei na palavra ou palavrei o que pensava? Trovão,
palavrão enfureceu em mim, o baixo calão, o que baixo ou
mesmo calado ruminava. Pus nas mãos, calejado, apontei
meu cajado, atravessei o lobo no coração das ovelhas.

Não é revolver que só mira um ponto, o pixel interessante.
Granada: atira em 360°³ – graus esfericúbicos –, em 3D:
portanto, céus,terras, horizontes e tripulantes não escapam a
sua ira, seu deboche e sua súplica.

Passado o tempo, não deu para medir quanto, após o funeral
do tempo, essa granada é atômica, faz-se suicídio épico – por
mais que se queira lírico.

Queremos matar-nos o mundo; e nisso Deus nos compreende
– ou deus, se prefere a humildade – se chover versos
quarenta dias e quarenta noites.

De braços com a poesia vamos aos bares, igrejas, escolas,
praças, Tudos e descobrimos que fora disto não há mais
nada; mas descobrimos que dentro disso não realizaremos
nem um terço e inventaremos + 70 X 7 inteiros ao passarmos
mil e uma noites em claro. Então já contagiados. Atrapalhando

outras doenças que parasitam o mundo; uma doença que tem
efeitos colaterais: Artzsche.

crianças, agora numa reinocência, gargalhada de bebê para
camelesos; já indiferente, um tanto complacente, aos mau
humores de leão.

As outras doenças querem ilusões motorizadas, estruturas de
aço e pedra, como se os atropelamentos, o peso pontiagudo
caindo nas cabeças, jorrando sangue, fizesse com que fosse
mais sério, mais real: sem paciência para carrinhos puxados a
mão ou castelinhos de areia – que de certo constituem o reino
dos céus.

Suportamos a febre e o deserto das outras doenças, que
deixavam de cabeça quente, porque tomamos o leite materno
estelar, diretamente da via láctea.

Mas é certo que poesia também mexe com sangue. Ela vai
tão a fundo no sangue que mexe no seu porquê, por que e
pra quem trabalha, onde o sangue é empregado, para onde
corre fervente ou sereno: caudaloso hemossentido.

? Há muito que o sangue tem a ilusão de estar alimentando células que
têm seu fim para os tecidos que. Mas tudo isso: nervos, órgãos, o cérebro,
apenas edificam um concreto holograma para dar vida a fantasmas a sua
imagem e dessemelhança; não para parar no reflexo, mas para outro
refluxo e, a partir de sua imagem, ser muito mais.